{"id":1742,"date":"2012-06-01T14:36:25","date_gmt":"2012-06-01T14:36:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/?p=1742"},"modified":"2016-10-21T17:46:09","modified_gmt":"2016-10-21T17:46:09","slug":"petroleo-e-gas-natural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/petroleo-e-gas-natural\/","title":{"rendered":"Petr\u00f3leo e g\u00e1s natural"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teorias famosas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Universo originou-se de uma descomunal explos\u00e3o, conhecida como Big Bang. O petr\u00f3leo e o g\u00e1s natural s\u00e3o combust\u00edveis f\u00f3sseis. Estas s\u00e3o provavelmente as duas teorias cient\u00edficas mais disseminadas, de maior conhecimento do p\u00fablico e algumas das que alcan\u00e7aram maior sucesso em toda a hist\u00f3ria da ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elas s\u00e3o t\u00e3o populares que \u00e9 f\u00e1cil esquecer que s\u00e3o exatamente isto &#8211; teorias cient\u00edficas, e n\u00e3o descri\u00e7\u00f5es de fatos testemunhados pela hist\u00f3ria. Mesmo porque as duas oferecem explica\u00e7\u00f5es para eventos que se sucederam muito antes do surgimento do homem na Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teoria dos combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a teoria dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, que \u00e9 a mais aceita atualmente sobre a origem do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural, organismos vivos morreram, foram enterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, onde sofreram transforma\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas at\u00e9 originar o petr\u00f3leo e o g\u00e1s natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 com base nesta teoria que chamamos as principais fontes de energia do mundo moderno de &#8220;combust\u00edveis f\u00f3sseis&#8221; &#8211; porque seriam resultado de restos modificados de seres vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teoria do petr\u00f3leo abi\u00f3tico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito menos disseminado \u00e9 o fato de que esta n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica teoria para explicar o surgimento do petr\u00f3leo. Na verdade, esta teoria hegem\u00f4nica vem sendo cada vez mais questionada por um grande n\u00famero de cientistas, que defendem que o petr\u00f3leo tem uma origem abi\u00f3tica, ou abiog\u00eanica &#8211; sem rela\u00e7\u00e3o com formas de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os defensores da teoria abi\u00f3tica do petr\u00f3leo t\u00eam in\u00fameros argumentos. Por exemplo, a inexist\u00eancia de fen\u00f4menos geol\u00f3gicos que possam explicar o soterramento de grandes massas vivas, como florestas, que deveriam ser cobertas antes que tivessem tempo de se decompor totalmente ao ar livre, juntamente com a inconsist\u00eancia das hip\u00f3teses de uma deposi\u00e7\u00e3o do carbono livre na atmosfera no per\u00edodo jovem da Terra, quando suas temperaturas seriam muito altas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A deposi\u00e7\u00e3o lenta, como registrada por todos os f\u00f3sseis, n\u00e3o parece se aplicar, uma vez que as camadas geol\u00f3gicas apresentam varia\u00e7\u00f5es muito claras, o que permite sua data\u00e7\u00e3o com bastante precis\u00e3o. J\u00e1 os dep\u00f3sitos petrol\u00edferos praticamente n\u00e3o apresentam altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas vari\u00e1veis com a profundidade, tendo virtualmente a mesma assinatura biol\u00f3gica em toda a sua extens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, os organismos vivos t\u00eam mais de 90% de \u00e1gua e mesmo que a totalidade de sua massa s\u00f3lida fosse convertida em petr\u00f3leo n\u00e3o haveria como explicar a quantidade de petr\u00f3leo que j\u00e1 foi extra\u00edda at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros fen\u00f4menos geol\u00f3gicos, para explicar uma eventual deposi\u00e7\u00e3o quase &#8220;instant\u00e2nea,&#8221; deveriam ocorrer de forma disseminada &#8211; para explicar a grande distribui\u00e7\u00e3o das reservas petrol\u00edferas ao longo do planeta &#8211; e em grande intensidade &#8211; suficiente para explicar os gigantescos volumes de petr\u00f3leo j\u00e1 localizados e extra\u00eddos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carbono do interior da Terra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essas e por outras raz\u00f5es, v\u00e1rios pesquisadores afirmam que nem petr\u00f3leo, nem g\u00e1s natural e nem mesmo o carv\u00e3o, s\u00e3o combust\u00edveis f\u00f3sseis. Para isso, afirmam eles, o ciclo do carbono na Terra deveria ser um ciclo fechado, restrito \u00e0 crosta superficial do planeta, sem nenhuma troca com o interior da Terra. E n\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es para se acreditar em tal hip\u00f3tese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a\u00ed est\u00e1, segundo a teoria dos combust\u00edveis abi\u00f3ticos, a origem do petr\u00f3leo, do g\u00e1s natural e do carv\u00e3o: eles se originam do carbono que \u00e9 &#8220;bombeado&#8221; continuamente pelas alt\u00edssimas press\u00f5es do interior da Terra em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel sintetizar hidrocarbonetos a partir de mat\u00e9ria org\u00e2nica, e estes experimentos foram, por muitos anos, o principal sustent\u00e1culo da teoria dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas agora, pela primeira vez, um grupo de cientistas conseguiu demonstrar experimentalmente a s\u00edntese do etano e de outros hidrocarbonetos pesados em condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o-biol\u00f3gicas. O experimento reproduz as condi\u00e7\u00f5es de press\u00e3o e temperatura existentes no manto superior, a camada da Terra abaixo da crosta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Metano e etano abi\u00f3ticos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa foi feita por cientistas do Laborat\u00f3rio de Geof\u00edsica da Institui\u00e7\u00e3o Carnegie, nos Estados Unidos, em conjunto com colegas da Su\u00e9cia e da R\u00fassia, onde a teoria do petr\u00f3leo abi\u00f3tico surgiu e tem muito mais aceita\u00e7\u00e3o acad\u00eamica do que em outras partes do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O metano (CH4) \u00e9 o principal constituinte do g\u00e1s natural, enquanto o etano (C2H6) \u00e9 usado como mat\u00e9ria-prima petroqu\u00edmica. Esses dois hidrocarbonetos, juntamente com outros associados aos combust\u00edveis de origem geol\u00f3gica, s\u00e3o chamados de hidrocarbonetos saturados porque eles t\u00eam liga\u00e7\u00f5es \u00fanicas e simples, saturadas com hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Utilizando uma c\u00e9lula de press\u00e3o, conhecida como bigorna de diamante, e uma fonte de calor a laser, os cientistas come\u00e7aram o experimento submetendo o metano a press\u00f5es mais de 20 mil vezes maiores do que a press\u00e3o atmosf\u00e9rica ao n\u00edvel do mar, e a temperaturas variando de 700\u00b0 C a mais de 1.200\u00b0 C. Estas condi\u00e7\u00f5es de temperatura e press\u00e3o reproduzem as condi\u00e7\u00f5es ambientais encontradas no manto superior da Terra, entre 65 e 150 quil\u00f4metros de profundidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No interior da c\u00e9lula de press\u00e3o, o metano reagiu e formou etano, propano, butano, hidrog\u00eanio molecular e grafite. Os cientistas ent\u00e3o submeteram o etano \u00e0s mesmas condi\u00e7\u00f5es e o resultado foi a forma\u00e7\u00e3o de metano. Ou seja, as rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o revers\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas rea\u00e7\u00f5es fornecem evid\u00eancias de que os hidrocarbonetos pesados podem existir nas camadas mais profundas da Terra, muito abaixo dos limites onde seria razo\u00e1vel supor a exist\u00eancia de mat\u00e9ria org\u00e2nica soterrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rea\u00e7\u00f5es revers\u00edveis<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro resultado importante da pesquisa \u00e9 que a reversibilidade das rea\u00e7\u00f5es implica que a s\u00edntese de hidrocarbonetos saturados \u00e9 termodinamicamente controlada e n\u00e3o exige a presen\u00e7a de mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00f3s ficamos intrigados por experi\u00eancias anteriores e previs\u00f5es te\u00f3ricas,&#8221; afirma Alexander Goncharov, um dos autores da pesquisa. &#8220;Experimentos feitos h\u00e1 alguns anos submeteram o metano a altas press\u00f5es e temperaturas, demonstrando que hidrocarbonetos mais pesados se formam a partir do metano sob condi\u00e7\u00f5es de temperatura e press\u00e3o muito similares. Entretanto, as mol\u00e9culas n\u00e3o puderam ser identificadas e era prov\u00e1vel que houvesse uma distribui\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00f3s superamos esse problema com nossa t\u00e9cnica aprimorada de aquecimento a laser, que nos permitiu aquecer um volume maior de maneira mais uniforme. Com isso, descobrimos que o metano pode ser produzido a partir do etano&#8221;, declarou Goncharov.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hidrocarbonetos gerados no interior da Terra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A ideia de que os hidrocarbonetos gerados no manto migram para a crosta terrestre e contribuem para a forma\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios de \u00f3leo e g\u00e1s foi levantada na R\u00fassia e na Ucr\u00e2nia muito anos atr\u00e1s. A s\u00edntese e a estabilidade dos compostos estudados aqui, assim como a presen\u00e7a dos hidrocarbonetos pesados ao longo de todas as condi\u00e7\u00f5es no interior do manto da Terra agora precisar\u00e3o ser exploradas,&#8221; explica outro autor da pesquisa, professor Anton Kolesnikov.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Al\u00e9m disso, a extens\u00e3o na qual esse carbono &#8216;reduzido&#8217; sobrevive \u00e0 migra\u00e7\u00e3o at\u00e9 a crosta, sem se oxidar em CO2, precisa ser descoberta. Essas e outras quest\u00f5es relacionadas demonstram a necessidade de um programa de novos estudos te\u00f3ricos e experimentais para estudar o destino do carbono nas profundezas da Terra,&#8221; conclui o pesquisador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Agostinho Rosa &#8211; <a href=\"http:\/\/www.inovacaotecnologica.com.br\/noticias\/noticia.php?artigo=petroleo-gas-natural-nao-fosseis&amp;id=010115090803\" target=\"_blank\">Inova\u00e7\u00e3o e Tecnologia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teorias famosas O Universo originou-se de uma descomunal explos\u00e3o, conhecida como Big Bang. O petr\u00f3leo e o g\u00e1s natural s\u00e3o combust\u00edveis f\u00f3sseis. Estas s\u00e3o provavelmente as duas teorias cient\u00edficas mais disseminadas, de maior conhecimento do p\u00fablico e algumas das que alcan\u00e7aram maior sucesso em toda a hist\u00f3ria da ci\u00eancia. Elas s\u00e3o t\u00e3o populares que \u00e9 f\u00e1cil esquecer que s\u00e3o exatamente isto &#8211; teorias cient\u00edficas, e n\u00e3o descri\u00e7\u00f5es de fatos testemunhados pela hist\u00f3ria. Mesmo porque as duas oferecem explica\u00e7\u00f5es para eventos que se sucederam muito antes do surgimento do homem na Terra. Teoria dos combust\u00edveis f\u00f3sseis Segundo a teoria dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, que \u00e9 a mais aceita atualmente sobre a origem do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural, organismos vivos morreram, foram enterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, onde sofreram transforma\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas at\u00e9 originar o petr\u00f3leo e o g\u00e1s natural. \u00c9 com base nesta teoria que chamamos as principais fontes de energia do mundo moderno de &#8220;combust\u00edveis f\u00f3sseis&#8221; &#8211; porque seriam resultado de restos modificados de seres vivos. Teoria do petr\u00f3leo abi\u00f3tico Muito menos disseminado \u00e9 o fato de que esta n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica teoria para explicar o surgimento do petr\u00f3leo. Na verdade, esta teoria hegem\u00f4nica vem sendo cada vez mais questionada por um grande n\u00famero de cientistas, que defendem que o petr\u00f3leo tem uma origem abi\u00f3tica, ou abiog\u00eanica &#8211; sem rela\u00e7\u00e3o com formas de vida. Os defensores da teoria abi\u00f3tica do petr\u00f3leo t\u00eam in\u00fameros argumentos. Por exemplo, a inexist\u00eancia de fen\u00f4menos geol\u00f3gicos que possam explicar o soterramento de grandes massas vivas, como florestas, que deveriam ser cobertas antes que tivessem tempo de se decompor totalmente ao ar livre, juntamente com a inconsist\u00eancia das hip\u00f3teses de uma deposi\u00e7\u00e3o do carbono livre na atmosfera no per\u00edodo jovem da Terra, quando suas temperaturas seriam muito altas. A deposi\u00e7\u00e3o lenta, como registrada por todos os f\u00f3sseis, n\u00e3o parece se aplicar, uma vez que as camadas geol\u00f3gicas apresentam varia\u00e7\u00f5es muito claras, o que permite sua data\u00e7\u00e3o com bastante precis\u00e3o. J\u00e1 os dep\u00f3sitos petrol\u00edferos praticamente n\u00e3o apresentam altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas vari\u00e1veis com a profundidade, tendo virtualmente a mesma assinatura biol\u00f3gica em toda a sua extens\u00e3o. Al\u00e9m disso, os organismos vivos t\u00eam mais de 90% de \u00e1gua e mesmo que a totalidade de sua massa s\u00f3lida fosse convertida em petr\u00f3leo n\u00e3o haveria como explicar a quantidade de petr\u00f3leo que j\u00e1 foi extra\u00edda at\u00e9 hoje. Outros fen\u00f4menos geol\u00f3gicos, para explicar uma eventual deposi\u00e7\u00e3o quase &#8220;instant\u00e2nea,&#8221; deveriam ocorrer de forma disseminada &#8211; para explicar a grande distribui\u00e7\u00e3o das reservas petrol\u00edferas ao longo do planeta &#8211; e em grande intensidade &#8211; suficiente para explicar os gigantescos volumes de petr\u00f3leo j\u00e1 localizados e extra\u00eddos. Carbono do interior da Terra Por essas e por outras raz\u00f5es, v\u00e1rios pesquisadores afirmam que nem petr\u00f3leo, nem g\u00e1s natural e nem mesmo o carv\u00e3o, s\u00e3o combust\u00edveis f\u00f3sseis. Para isso, afirmam eles, o ciclo do carbono na Terra deveria ser um ciclo fechado, restrito \u00e0 crosta superficial do planeta, sem nenhuma troca com o interior da Terra. E n\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es para se acreditar em tal hip\u00f3tese. Na verdade, a\u00ed est\u00e1, segundo a teoria dos combust\u00edveis abi\u00f3ticos, a origem do petr\u00f3leo, do g\u00e1s natural e do carv\u00e3o: eles se originam do carbono que \u00e9 &#8220;bombeado&#8221; continuamente pelas alt\u00edssimas press\u00f5es do interior da Terra em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie. \u00c9 poss\u00edvel sintetizar hidrocarbonetos a partir de mat\u00e9ria org\u00e2nica, e estes experimentos foram, por muitos anos, o principal sustent\u00e1culo da teoria dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Mas agora, pela primeira vez, um grupo de cientistas conseguiu demonstrar experimentalmente a s\u00edntese do etano e de outros hidrocarbonetos pesados em condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o-biol\u00f3gicas. O experimento reproduz as condi\u00e7\u00f5es de press\u00e3o e temperatura existentes no manto superior, a camada da Terra abaixo da crosta. Metano e etano abi\u00f3ticos A pesquisa foi feita por cientistas do Laborat\u00f3rio de Geof\u00edsica da Institui\u00e7\u00e3o Carnegie, nos Estados Unidos, em conjunto com colegas da Su\u00e9cia e da R\u00fassia, onde a teoria do petr\u00f3leo abi\u00f3tico surgiu e tem muito mais aceita\u00e7\u00e3o acad\u00eamica do que em outras partes do mundo. O metano (CH4) \u00e9 o principal constituinte do g\u00e1s natural, enquanto o etano (C2H6) \u00e9 usado como mat\u00e9ria-prima petroqu\u00edmica. Esses dois hidrocarbonetos, juntamente com outros associados aos combust\u00edveis de origem geol\u00f3gica, s\u00e3o chamados de hidrocarbonetos saturados porque eles t\u00eam liga\u00e7\u00f5es \u00fanicas e simples, saturadas com hidrog\u00eanio. Utilizando uma c\u00e9lula de press\u00e3o, conhecida como bigorna de diamante, e uma fonte de calor a laser, os cientistas come\u00e7aram o experimento submetendo o metano a press\u00f5es mais de 20 mil vezes maiores do que a press\u00e3o atmosf\u00e9rica ao n\u00edvel do mar, e a temperaturas variando de 700\u00b0 C a mais de 1.200\u00b0 C. Estas condi\u00e7\u00f5es de temperatura e press\u00e3o reproduzem as condi\u00e7\u00f5es ambientais encontradas no manto superior da Terra, entre 65 e 150 quil\u00f4metros de profundidade. No interior da c\u00e9lula de press\u00e3o, o metano reagiu e formou etano, propano, butano, hidrog\u00eanio molecular e grafite. Os cientistas ent\u00e3o submeteram o etano \u00e0s mesmas condi\u00e7\u00f5es e o resultado foi a forma\u00e7\u00e3o de metano. Ou seja, as rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o revers\u00edveis. Essas rea\u00e7\u00f5es fornecem evid\u00eancias de que os hidrocarbonetos pesados podem existir nas camadas mais profundas da Terra, muito abaixo dos limites onde seria razo\u00e1vel supor a exist\u00eancia de mat\u00e9ria org\u00e2nica soterrada. Rea\u00e7\u00f5es revers\u00edveis Outro resultado importante da pesquisa \u00e9 que a reversibilidade das rea\u00e7\u00f5es implica que a s\u00edntese de hidrocarbonetos saturados \u00e9 termodinamicamente controlada e n\u00e3o exige a presen\u00e7a de mat\u00e9ria org\u00e2nica. &#8220;N\u00f3s ficamos intrigados por experi\u00eancias anteriores e previs\u00f5es te\u00f3ricas,&#8221; afirma Alexander Goncharov, um dos autores da pesquisa. &#8220;Experimentos feitos h\u00e1 alguns anos submeteram o metano a altas press\u00f5es e temperaturas, demonstrando que hidrocarbonetos mais pesados se formam a partir do metano sob condi\u00e7\u00f5es de temperatura e press\u00e3o muito similares. Entretanto, as mol\u00e9culas n\u00e3o puderam ser identificadas e era prov\u00e1vel que houvesse uma distribui\u00e7\u00e3o.&#8221; &#8220;N\u00f3s superamos esse problema com nossa t\u00e9cnica aprimorada de aquecimento a laser, que nos permitiu aquecer um volume maior de maneira mais uniforme. Com isso, descobrimos que o metano pode ser produzido a partir do etano&#8221;, declarou Goncharov. Hidrocarbonetos gerados no interior da Terra &#8220;A ideia de que os hidrocarbonetos gerados no manto migram para a crosta terrestre e contribuem para a forma\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios de \u00f3leo e g\u00e1s foi levantada na R\u00fassia e na Ucr\u00e2nia muito anos atr\u00e1s. A s\u00edntese e a estabilidade dos compostos estudados aqui, assim como a presen\u00e7a dos hidrocarbonetos pesados ao longo de todas as condi\u00e7\u00f5es no interior do manto da Terra agora precisar\u00e3o ser exploradas,&#8221; explica outro autor da pesquisa, professor Anton Kolesnikov. &#8220;Al\u00e9m disso, a extens\u00e3o na qual esse carbono &#8216;reduzido&#8217; sobrevive \u00e0 migra\u00e7\u00e3o at\u00e9 a crosta, sem se oxidar em CO2, precisa ser descoberta. Essas e outras quest\u00f5es relacionadas demonstram a necessidade de um programa de novos estudos te\u00f3ricos e experimentais para estudar o destino do carbono nas profundezas da Terra,&#8221; conclui o pesquisador. Fonte: Agostinho Rosa &#8211; Inova\u00e7\u00e3o e Tecnologia<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1743,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[27],"tags":[43,44,41,46,42,48,34,49,45,40,50,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1742"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1742"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1742\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1745,"href":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1742\/revisions\/1745"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}