{"id":2129,"date":"2012-11-14T13:52:41","date_gmt":"2012-11-14T13:52:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/?p=2129"},"modified":"2016-10-21T17:45:49","modified_gmt":"2016-10-21T17:45:49","slug":"iau-usp-cria-concreto-sustentavel-com-residuos-industriais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.geotesc.com.br\/site\/iau-usp-cria-concreto-sustentavel-com-residuos-industriais\/","title":{"rendered":"IAU-USP cria concreto sustent\u00e1vel com res\u00edduos industriais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em uma \u00e9poca em que a constru\u00e7\u00e3o civil vivencia seu principal <strong><em>boom<\/em><\/strong> no Brasil, a sustentabilidade no processo construtivo torna-se cada vez mais necess\u00e1ria para minimizar os impactos ambientais causados pelo setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em S\u00e3o Carlos (230 Km de S\u00e3o Paulo), uma pesquisa do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP (IAU-USP) realizada em parceria com a Escola de Engenharia da USP (EESC) descobriu uma forma de produzir concreto a partir da utiliza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos industriais. A tecnologia, denominada \u201cconcreto n\u00e3o estrutural\u201d, foi patenteada em julho e est\u00e1 pronta para ser incorporada no mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos pesquisadores respons\u00e1veis pela concep\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do concreto <em><strong>eco-friendly<\/strong><\/em>, professor Javier Mazariegos Pablos, explica que o novo material, at\u00e9 ent\u00e3o inexistente no Brasil e no exterior, \u00e9 resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de a<strong>reia de fundi\u00e7\u00e3o aglomerada com argila e esc\u00f3ria de aciaria ou de alto-forno<\/strong>, res\u00edduos convencionalmente despejados em aterros industriais por companhias sider\u00fargicas e de fundi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA uni\u00e3o desses materiais com o metacaulim, em suas respectivas propor\u00e7\u00f5es, permitiu a obten\u00e7\u00e3o de um concreto mais resistente que o convencional. Conseguimos alcan\u00e7ar uma resist\u00eancia de 56 MPa [megapascal], enquanto a resist\u00eancia do concreto convencional varia entre 25 a 30 MPa\u201d, revela Pablos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ser n\u00e3o estrutural, o novo material descoberto pelos pesquisadores do IAU-USP n\u00e3o deve ser empregado em estruturas como pilares e vigas. Mas seu uso ainda \u00e9 amplo, uma vez que a partir deste concreto \u00e9<strong> poss\u00edvel fabricar bloquetes, guias, grelhas, sarjetas, contrapisos, blocos para alvenaria de veda\u00e7\u00e3o e quaisquer outras pe\u00e7as de uso n\u00e3o estrutural.<\/strong> O professor do IAU-USP Eduvaldo Sichieri, co-autor da pesquisa, explica que a alta resist\u00eancia do concreto n\u00e3o estrutural permite que ele tamb\u00e9m seja utilizado na <strong>pavimenta\u00e7\u00e3o de vias<\/strong>, modalidade que exige resist\u00eancia maior ou igual a 50 MPa.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Impactos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro benef\u00edcio do concreto n\u00e3o estrutural \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o do material a partir da encapsula\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, processo tamb\u00e9m conhecido como solidifica\u00e7\u00e3o\/estabiliza\u00e7\u00e3o (tecnologia S\/S). Essa t\u00e9cnica permite que os res\u00edduos que comp\u00f5em o concreto n\u00e3o estrutural sofram um processo de desintoxica\u00e7\u00e3o ou restri\u00e7\u00e3o de sua capacidade de solubiliza\u00e7\u00e3o, tornando-os <strong>menos t\u00f3xicos ao meio ambiente<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A redu\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais negativos n\u00e3o para por a\u00ed. Dados de 2009 do Concrete Center apontavam uma produ\u00e7\u00e3o mundial de concreto em torno de 24 bilh\u00f5es de toneladas, sendo que entre 9% e 21% da massa do produto convencional \u00e9 composta por cimento, material cuja produ\u00e7\u00e3o envolve alta emiss\u00e3o de CO2 na atmosfera.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA produ\u00e7\u00e3o do concreto n\u00e3o estrutural, por outro lado, envolve o aproveitamento de res\u00edduos s\u00f3lidos industriais que s\u00e3o direcionados para a cadeia produtiva, aumentando sua efici\u00eancia e sustentabilidade. O impacto ambiental tamb\u00e9m \u00e9 reduzido \u00e0 medida que se recupera mat\u00e9ria e energia, visando maior preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais\u201d, avalia o professor.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a nova tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores do IAU-USP re\u00fana todos os aspectos para uma alta aceita\u00e7\u00e3o no mercado, Pablos acredita que ainda faltam pol\u00edticas p\u00fablicas que incentivem a utiliza\u00e7\u00e3o de materiais inovadores que saem das universidades.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEnquanto isso n\u00e3o acontece, esperamos que o mercado e o consumidor final se conscientizem sobre os benef\u00edcios de se usar um produto obtido de maneira sustent\u00e1vel e que ainda assim apresenta alta qualidade\u201d, finaliza.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">(<a href=\"http:\/\/www.obra24horas.com.br\/materias\/tecnologia-e-sustentabilidade\/iau-usp-cria-concreto-sustentavel-com-residuos-industriais\" target=\"_blank\">via<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma \u00e9poca em que a constru\u00e7\u00e3o civil vivencia seu principal boom no Brasil, a sustentabilidade no processo construtivo torna-se cada vez mais necess\u00e1ria para minimizar os impactos ambientais causados pelo setor. Em S\u00e3o Carlos (230 Km de S\u00e3o Paulo), uma pesquisa do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP (IAU-USP) realizada em parceria com a Escola de Engenharia da USP (EESC) descobriu uma forma de produzir concreto a partir da utiliza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos industriais. A tecnologia, denominada \u201cconcreto n\u00e3o estrutural\u201d, foi patenteada em julho e est\u00e1 pronta para ser incorporada no mercado. Um dos pesquisadores respons\u00e1veis pela concep\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do concreto eco-friendly, professor Javier Mazariegos Pablos, explica que o novo material, at\u00e9 ent\u00e3o inexistente no Brasil e no exterior, \u00e9 resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de areia de fundi\u00e7\u00e3o aglomerada com argila e esc\u00f3ria de aciaria ou de alto-forno, res\u00edduos convencionalmente despejados em aterros industriais por companhias sider\u00fargicas e de fundi\u00e7\u00e3o. \u201cA uni\u00e3o desses materiais com o metacaulim, em suas respectivas propor\u00e7\u00f5es, permitiu a obten\u00e7\u00e3o de um concreto mais resistente que o convencional. Conseguimos alcan\u00e7ar uma resist\u00eancia de 56 MPa [megapascal], enquanto a resist\u00eancia do concreto convencional varia entre 25 a 30 MPa\u201d, revela Pablos. Por ser n\u00e3o estrutural, o novo material descoberto pelos pesquisadores do IAU-USP n\u00e3o deve ser empregado em estruturas como pilares e vigas. Mas seu uso ainda \u00e9 amplo, uma vez que a partir deste concreto \u00e9 poss\u00edvel fabricar bloquetes, guias, grelhas, sarjetas, contrapisos, blocos para alvenaria de veda\u00e7\u00e3o e quaisquer outras pe\u00e7as de uso n\u00e3o estrutural. O professor do IAU-USP Eduvaldo Sichieri, co-autor da pesquisa, explica que a alta resist\u00eancia do concreto n\u00e3o estrutural permite que ele tamb\u00e9m seja utilizado na pavimenta\u00e7\u00e3o de vias, modalidade que exige resist\u00eancia maior ou igual a 50 MPa. Impactos Outro benef\u00edcio do concreto n\u00e3o estrutural \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o do material a partir da encapsula\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, processo tamb\u00e9m conhecido como solidifica\u00e7\u00e3o\/estabiliza\u00e7\u00e3o (tecnologia S\/S). Essa t\u00e9cnica permite que os res\u00edduos que comp\u00f5em o concreto n\u00e3o estrutural sofram um processo de desintoxica\u00e7\u00e3o ou restri\u00e7\u00e3o de sua capacidade de solubiliza\u00e7\u00e3o, tornando-os menos t\u00f3xicos ao meio ambiente. A redu\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais negativos n\u00e3o para por a\u00ed. Dados de 2009 do Concrete Center apontavam uma produ\u00e7\u00e3o mundial de concreto em torno de 24 bilh\u00f5es de toneladas, sendo que entre 9% e 21% da massa do produto convencional \u00e9 composta por cimento, material cuja produ\u00e7\u00e3o envolve alta emiss\u00e3o de CO2 na atmosfera. \u201cA produ\u00e7\u00e3o do concreto n\u00e3o estrutural, por outro lado, envolve o aproveitamento de res\u00edduos s\u00f3lidos industriais que s\u00e3o direcionados para a cadeia produtiva, aumentando sua efici\u00eancia e sustentabilidade. O impacto ambiental tamb\u00e9m \u00e9 reduzido \u00e0 medida que se recupera mat\u00e9ria e energia, visando maior preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais\u201d, avalia o professor. Embora a nova tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores do IAU-USP re\u00fana todos os aspectos para uma alta aceita\u00e7\u00e3o no mercado, Pablos acredita que ainda faltam pol\u00edticas p\u00fablicas que incentivem a utiliza\u00e7\u00e3o de materiais inovadores que saem das universidades. \u201cEnquanto isso n\u00e3o acontece, esperamos que o mercado e o consumidor final se conscientizem sobre os benef\u00edcios de se usar um produto obtido de maneira sustent\u00e1vel e que ainda assim apresenta alta qualidade\u201d, finaliza. 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